O balanço de 2025: As maiores previsões para Bitcoin, ouro e prata

December 31, 2025
A silver trophy displayed on a central podium against a dark background, illuminated by soft light.

Cada ciclo de mercado produz os seus profetas.

Alguns soam o alarme cedo. Outros surfam a onda até ao topo. Outros ainda mantêm-se firmes, convencidos de que o mercado está errado — até que este lhes prove o contrário.

Olhando para trás, 2025 não faltou em convicção. O Bitcoin ultrapassou tetos psicológicos. O ouro reescreveu os recordes. A prata finalmente deixou de ser coadjuvante. E, ao longo do caminho, analistas, economistas, gestores de fundos e gurus do Twitter apostaram as suas reputações no que viria a seguir.

Isto não é uma volta de vitória — nem um ataque. É um olhar lúcido sobre as vozes que moldaram a narrativa, as previsões que envelheceram bem e aquelas que tiveram dificuldades à medida que a realidade se desenrolava.

Bitcoin: o grande fosso alargou-se

Eugene Fama — intelectualmente consistente, desafiante do mercado

Se o Bitcoin teve um principal cético residente este ano, foi Eugene Fama.

Muito antes de o Bitcoin entrar no clube dos triliões de dólares, o economista laureado com o Prémio Nobel já tinha dado o seu veredito. Em conversas no início do ciclo, Fama argumentou que o Bitcoin violava as regras básicas do dinheiro: sem valor estável, sem âncora intrínseca, sem razão para sobreviver a longo prazo.

Foi mais longe do que a maioria, atribuindo ao Bitcoin uma “probabilidade próxima de 100%” de se tornar sem valor dentro de uma década.

Do ponto de vista de 2025, o mercado não só discordou — passou-lhe por cima como um rolo compressor.

O Bitcoin disparou para além dos $100.000, a adoção institucional acelerou, os ETFs spot reconfiguraram o acesso, e os reguladores — antes vistos como ameaças existenciais — começaram a estender tapetes vermelhos em vez de barreiras.

E, no entanto, Fama não estava realmente “errado” no sentido em que os mercados normalmente o entendem.

A sua crítica não era sobre o preço — era sobre a definição de dinheiro em si. Se o Bitcoin sobreviver, argumentou, então a teoria monetária terá de mudar com ele. Nesse sentido, 2025 não refutou Fama. Apenas adiou o acerto de contas que ele acredita ser inevitável.

O mercado votou com capital. A teoria permanece por resolver.

Tom Lee — impulso, timing e convicção recompensados

Se Fama representava a resistência académica, Tom Lee personificava o instinto de mercado.

Lee já tinha conquistado credibilidade ao prever quase ao detalhe a recuperação do S&P 500. Quando transferiu essa confiança para o Bitcoin — projetando $100.000 como cenário base — muitos descartaram como sendo apenas entusiasmo por ETFs.

Não deviam tê-lo feito.

Em agosto de 2025, o Bitcoin não só atingiu esse patamar, como o manteve. A tese de Lee era brutalmente simples e, em retrospetiva, brutalmente eficaz:

  • Os ETFs abriram as comportas
  • A oferta apertou após o halving
  • As taxas baixaram e o apetite pelo risco acompanhou

Lee até avisou que a volatilidade iria afastar os investidores mais fracos — sinalizando a possibilidade de correções acentuadas antes de qualquer subida sustentada. Esse detalhe foi importante. O Bitcoin oscilou. A convicção foi recompensada. A hesitação foi punida.

Num ano cheio de previsões ousadas, a de Lee destacou-se porque o mercado se comportou exatamente como o seu modelo sugeria.

Jon Glover e os técnicos — acertaram no timing, anteciparam o fim

Depois vieram os técnicos.

Jon Glover, da Ledn, apoiando-se na teoria das Ondas de Elliott, previu a subida do Bitcoin para $125.000 com uma precisão impressionante — precisamente quando o sentimento noutros lados começava a vacilar. Essa previsão envelheceu bem.

O ponto controverso foi o que veio a seguir.

A screenshot of a post from Ledn on X (formerly Twitter), dated October 17, quoting Ledn CIO John W. Glover’s Bitcoin technical analysis.
Source: X

Declarar o bull market “terminado” após a correção pareceu decisivo — talvez demasiado decisivo. 

A screenshot of a post from Ledn on X (formerly Twitter) by the account @hodlwithLedn. 
Source: X

Sim, o Bitcoin corrigiu. Sim, a volatilidade voltou. Mas as tendências de adoção mais ampla, os fluxos para ETFs e os ventos favoráveis regulatórios recusaram-se a colapsar juntamente com o preço.

2025 lembrou aos traders uma velha lição: os ciclos dobram, mas as narrativas nem sempre se partem.

Ouro: o vencedor silencioso que deixou de sussurrar

O ouro entrou em 2025 já forte. Terminou o ano com inegável força.

Vozes como Maria Smirnova e Rick Rule defendiam há anos que a subida do ouro não era especulativa — era estrutural. Os bancos centrais não compravam manchetes; compravam seguro. A procura oriental não era passageira; era um fenómeno cultural. E a erosão fiduciária não era teórica — era vivida.

Quando o ouro ultrapassou os $3.000 e continuou a subir, a descrença dissipou-se.

Crucialmente, os analistas que viam o ouro apenas como proteção de crise perderam a mudança mais ampla. Isto não era compra por pânico. Era gestão de balanço — dos soberanos às famílias.

A aritmética direta de Rick Rule foi a que mais pesou em retrospetiva: quando a inflação supera silenciosamente os rendimentos, possuir apenas papel torna-se uma perda garantida. O ouro não precisava de “substituir” o dólar. Precisava apenas de recuperar a sua fatia histórica nas carteiras globais.

Essa reversão começou a sério este ano.

As mineiras ficaram para trás, e depois não ficaram

Céticos ridicularizaram as ações de ouro no início. Porque não explodiam as mineiras se o ouro estava em máximos históricos?

A resposta, como Rule apontou na altura, era simples: os bancos centrais compram ouro físico, não ações mineiras.

Mas à medida que as margens estabilizaram, a disciplina melhorou e o fluxo de caixa livre disparou, a diferença começou a fechar-se. Na segunda metade do ano, a reavaliação estava em curso — silenciosa, metódica, sem a euforia de ciclos anteriores.

Quem esperou pelas manchetes perdeu o movimento.

Prata: de eterno outsider a estrela relutante

A prata passou anos presa em modo de explicação. Metal industrial. Metal monetário. Não é bem ouro. Não é bem cobre.

Em 2025, finalmente deixou de pedir desculpa.

Bancos como o Citigroup aumentaram agressivamente as previsões, antecipando que a prata superaria o ouro — e a lógica confirmou-se. A procura de investimento disparou. As participações em ETFs subiram. O consumo industrial, impulsionado pela energia solar e eletrificação, recusou-se a abrandar.

A relação ouro/prata comprimiu-se acentuadamente, tal como os analistas previam que aconteceria quando o capital começasse a descer na cadeia.

Veteranos como Smirnova defendiam há muito que os bull markets da prata não se anunciam — aceleram. Esse padrão voltou a emergir. Devagar ao início. Depois, de repente.

Quem ainda esperava uma narrativa perfeita de oferta perdeu o essencial. A prata não precisava de manchetes sobre escassez. Precisava de procura sustentada — e teve-a.

Principais lições

Se 2025 ensinou algo aos mercados, foi isto:

  • O preço não espera pelo consenso
  • As narrativas envelhecem mais rápido do que os fluxos de capital
  • Ser cedo só é útil se se mantiver solvente tempo suficiente para estar certo

Algumas vozes foram validadas pelo preço. Outras pelo princípio. Algumas pelo timing.

E talvez a verdadeira lição do ano não tenha sido sobre quem estava certo ou errado — mas sobre como os mercados só recompensam a convicção quando esta é acompanhada de adaptabilidade.

À medida que Bitcoin, ouro e prata entram no próximo capítulo, uma coisa é certa:

  • O próximo balanço anual terá tantas vozes confiantes quanto este.
  • O mercado decidirá — de novo — a quem vai ouvir.

Os resultados apresentados não garantem desempenhos futuros.

Perguntas frequentes

Which market calls had the biggest impact in 2025?

According to market analysts, forecasts linked to Bitcoin ETF inflows, gold’s central bank demand, and silver’s industrial usage were among the most influential narratives shaping investor behaviour throughout the year.

Did Bitcoin’s performance contradict sceptical forecasts?

Many analysts noted that Bitcoin’s sustained move above $100,000 challenged long-standing criticisms around adoption and longevity. However, critics have reportedly maintained that price appreciation alone does not resolve deeper questions about volatility and monetary function.

Why did gold exceed many expectations in 2025?

Strategists and commodity analysts widely attributed gold’s strength to ongoing central bank purchases, resilient demand from Asia, and concerns over real yields. Several reports suggested these factors were structural rather than short-term drivers.

Conteúdos