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Kahuna: o cruiser rápido posto à prova

2022-05-12T00:00:00.000Z
O barco da equipa Kahuna

Quando foram inventados os veleiros? Ninguém o consegue especificar, mas as evidências arqueológicas mostram que os barcos, especificamente embarcações de trabalho, eram utilizados há mais de 6 000 anos no antigo Egito. As embarcações eram canoas de junco impulsionadas ou controladas por uma vara comprida ou por remos. Mas, com o tempo, as pessoas descobriram o poder de aproveitar o vento para facilitar a operação dos barcos, o que levou à invenção dos veleiros.

Ao longo dos anos, os veleiros evoluíram — as suas especificações modernizaram-se e a sua utilização mudou. De embarcações de trabalho, transformaram-se em veleiros de recreio, tornando-se especialmente populares em meados do século XVII entre a realeza em Inglaterra. Desde então, surgiram muitas variações destas embarcações que passaram a povoar a vasta extensão do mar.

Hoje, os veleiros são utilizados principalmente para recreio e exploração. Construídos com os materiais mais resistentes e equipados com tecnologia de navegação de ponta, os veleiros conseguem enfrentar as ondas de algumas das águas abertas mais temperamentais do mundo. E um excelente exemplo deste tipo de veleiro moderno é o Kahuna, um JPK 45 fast cruiser.

A investigação

A evolução dos veleiros não passou despercebida a muitos, especialmente a inovadores, entusiastas de tecnologia e estudantes da área; incluindo os 4 engenheiros por detrás da Expedition Kahuna.

Sedentos de aventura e com vontade de aprofundar os seus estudos, a equipa Kahuna decidiu pôr à prova o conhecido JPK 45, e que melhor forma de o fazer do que numa expedição.

Inicialmente, queriam explorar a Gronelândia, mas as condições geladas da região e a estrutura de fibra de vidro e poliéster reforçado do Kahuna impediram-nos de o fazer. Isso levou a um novo plano — explorar o selvagem e pouco documentado Svalbard.

Para chegar a Svalbard, a equipa tem de atravessar o imensurável Mar do Norte, o que exige um veleiro capaz de resistir às condições extremas do clima e da água; e o design e a estrutura do Kahuna são perfeitamente adequados para a viagem que têm pela frente.

Como a equipa se sente mais confortável em terrenos montanhosos do que no mar, e tendo em conta o quão imprevisível o Mar do Norte pode ser, isto representa tanto um desafio como uma aventura para eles. Envolve gerir um veleiro que servirá de acampamento-base durante toda a expedição. Para tornar o Kahuna mais adequado, estabeleceram uma parceria com o proprietário do barco para acrescentar algumas modificações, como isolamento melhorado e pontos de carregamento suplementares para os seus dispositivos multimédia.

Com uma exploração de 5 meses planeada, a equipa trabalhará em estreita colaboração na gestão do Kahuna, ao mesmo tempo que observa e avalia o seu desempenho ao longo de toda a viagem. Isto está em linha com a sua investigação académica em parceria com o Laboratório de Engenharia Industrial da CentraleSupélec, que inclui testar a propulsão elétrica e a hidrogenação do veleiro.

Também irão colaborar com a Voiles de l'Energie et de l'Environnement, com foco na eficiência energética tanto do barco como do seu motor. A Voiles de l'Energie et de l'Environnement é uma associação fundada em 2017, conhecida pelas suas soluções de energia sustentáveis e ecológicas na navegação à vela.

Zero emissões e menor impacto ambiental são duas das principais vantagens da propulsão elétrica em iates, tema que a equipa irá explorar mais a fundo. Com um painel de controlo do consumo energético à mão, irão monitorizar a produção de energia, o consumo e os períodos de inatividade do Kahuna. As suas conclusões serão publicadas numa revista científica quando a viagem estiver concluída.

Como parte dos preparativos de navegação, a equipa levou o Kahuna para um teste juntamente com a equipa editorial da Voile Magazine, que também pretende publicar um artigo sobre o veleiro. Ambas as partes veem isto como uma excelente oportunidade para comparar o Kahuna com os outros JPK 45 movidos a motores a diesel, concebidos pelo famoso navegador e construtor Jean-Pierre Kelbert.

O que torna o Kahuna especial?

O Kahuna é um JPK 45 Swing Keel com 13,80 m de comprimento, concebido por Jacques Valer, com uma estrutura em poliéster reforçado com fibra de vidro e vinil éster em sandwich PVC. É um cruiser leve concebido como um barco de regata, com tudo o que torna possível um grande cruzeiro. Dispõe de 8 camas, aquecimento, cozinha, dessalinizador e aquecedor de água, telefone por satélite e sistemas modernos de navegação e comunicação.

Mas o que torna o Kahuna diferente dos outros JPK 45? Tem duas características dignas de nota. Primeiro, os seus pisos foram rebaixados em 15 cm, proporcionando uma altura livre superior a 2,05 m. A maior altura interior do Kahuna contribuiu para um interior de cruzeiro mais espaçoso e acomodações mais confortáveis. Além disso, o seu design meticuloso proporcionou um cockpit muito mais abrigado e melhor proteção contra más condições meteorológicas.

Em segundo lugar, vem equipado com um motor elétrico, o que o torna ecológico. Os outros JPK 45 têm uma altura livre de 1,8 m e são movidos por motores a diesel.

Como parte do compromisso da equipa em promover a consciência ecológica, decidiram utilizar um motor elétrico com uma pegada de carbono mínima e provar que é possível realizar uma expedição desta magnitude sem recorrer a combustíveis fósseis. Para aumentar a velocidade e a potência do Kahuna, equiparam-no com baterias de lítio de 31 kWh, juntamente com painéis solares e motores elétricos.

Manobrar o Kahuna exigirá muito trabalho e espírito de equipa, o que colocará em prática a formação de navegação da equipa, já que dependerão fortemente do vento e do sol. No mínimo, será necessário que todos deitem mãos à obra.

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